Capítulo aleatório II

Mais um da série aleatórios.

O Segundo Dia

O dia seguinte foi um domingo. Engraçado como quando se está na estrada os dias não importam, você simplesmente pára de contá-los, como se estivesse em uma nova vida, aonde apenas a estrada importa.

Henderson era o líder do outro groupo, por assim dizer. Um total de cinco, eles estavam rodando com uma praticamente nova Mitsubishi Pajero. Humilhante! Equipados com um GPS, eles se tornaram o nosso guia até a cidade de Miranda, a nossa próxima parada – mesmo se naquele dia estávamos planejando em pisar no acelerador e tentar chegar até Corumbá, a última cidade brasileira fronteiriça com a Bolívia.

Imagine isso: entre Três Lagoas e Corumbá são 759 quilômetros, por volta de oito horas de viagem; entre Três Lagoas e Miranda, no meio do caminho, são 537 quilômetros em seis horas. Mas não decidiríamos realmente para onde ir até que nos encontrássemos com Ivan e gangue.

Deixamos Três Lagoas antes das dez da manhã, Henderson à frente abrindo caminho, seguindo seu GPS e nós seguindo sua Pajero. Ele marcou o GPS para Corumbá, sendo que ou indo para lá ou para Miranda não fazia diferença: era a mesma rodovia, BR-262, até a Bolívia.

A Rodovia BR-262 era uma boa estrada também. Não tão bem cuidada quanto a 300, veio à nossa atenção que não era pista dupla, quando as duas mãos são separadas por um guard rail, por exemplo. Isso foi uma constante dali em diante, para o deslumbramento (na verdade reclamação) do meu bom amigo motorista. Para mim também, é claro. Mesmo eu não estando à frente do volante, mantive atenção total à tudo o que acontecia à nossa frente; sem falar atenção nas músicas que trouxemos: de The Doors à Dream Theater, da trilha sonora do filme O Senhor dos Anéis á Johnny Cash, nós estávamos abrindo caminho por territórios desconhecidos. E que territórios: campos sem fim usados para agricultura e pecuária, árvores bonitas e altas até o céu, caminhões. Caminhões? Sim, caminhões. Caminhões na via oposta, na nossa via, atrás, à frente. Caminhões nós vimos o suficiente. Eu posso reconhecer a sua importância e necessidade, mas se nós tivéssemos mais estradas de ferro totalmente operacionais, uma infra-estrutura completa e funcionando de malhas ferroviárias, tenho certeza de que o número de caminhões rodando diminuiria radicalmente, permitindo um nível sem precedentes de meio de transporte não apenas para mercadorias, mas para pessoas também. Bom, estou desvirtuando do que realmente importa aqui.

Então, estávamos na 262, curtindo os caminhões, o cenário, bebendo centenas de garrafas de água porque estava um calor dos diabos. Épico. Devia estar uns trinta e cinco graus. Você suaria apenas tentando em não suar! Quente demais.

Antes de chegar em Corumbá ou mesmo Miranda, havia a capital do estado do Mato Grosso do Sul, a cidade de Campo Grande [população: 755,107].

E ainda não tínhamos nos encontrado com Ivan.

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About Pedro Merigui

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