Capítulo Aleatório VI

Começos

A primeira parte da viagem realmente começou com um sentimento de querer viajar. Depois de Ushuaia, eu queria voltar para a Argentina e até mesmo considerei em voltar para o sul. Pesquisando outros lugares na internet e em livros sobre a Argentina, eu me deparei com a cidade de San Martin de los Andes, localizada na província de Neuquén aos pés da Cordilheira dos Andes. “É isso”, eu pensei, “Esse é o lugar”.

Tinha montanhas. Tinha neve. O que mais eu queria? Como não querer ir para lá? Era uma escolha natural. É claro que eu pensei em Bariloche novamente, mas me deparar com San Martin e descobrir que era um destino muito menos conhecido foi decisivo. Sem falar que era uma cidade muito mais pequena e com menor população. Eu poderia arriscar a sorte tanto quanto arrisquei quando escolhi Ushuaia em vez de Bariloche e, no final das contas, as probabilidades estavam ao meu favor.

Conheça Thiago, um dos meus melhores amigos, que estava prestes a tirar muito apreciadas férias em Julho e falando dos meus planos, ele decidiu que queria ir junto. Mas ele tinha planos diferentes e nós conversamos a respeito. Tanto quanto eu tinha certeza dos meus planos e até cedendo à minha teimosia, eu ouvi o que ele tinha a dizer. Suas sugestões abriram um novo spectro de possibilidades, as quais eu já tinha pensado antes, eu acho, mas não pareciam possíveis, pelo menos para mim, até ele ter suas férias definitivamente marcadas.

Então, nós estávamos na parte de discutir-pesquisar e quisera eu pensar que ele tinha gostado do plano de ir para a Argentina apenas pelos meios convencionais (avião) e eu meio que tinha certeza que iríamos para lá de qualquer jeito, mas não posso negar que as nossas conversas sobre uma viagem de carro para a Bolívia, Peru, Chile e Argentina me deixaram encantando e ansioso. Uma viagem de quase um mês em estradas, lugares, países que realmente não conhecíamos, o que plantou uma complexa matriz de pensamentos em mim, algo que eu não compartilhei com o meu também excitado, logo a se tornar viajante independente amigo.

“Aventura. Excitação. Um Jedi não almeja essas coisas.” Yoda estava enganado!

Falando sério, eu estava meio preocupado, principalmente por irmos só nós dois, dirigindo quase 10 mil quilômetros em territórios desconhecidos. E se acontecesse alguma coisa, em uma estrada distante, sem ninguém para nos ajudar? Era algo que fazia parte da jornada, tudo bem, algo que nós precisávamos considerar veementemente, e estarmos prontos se acontecesse.

Um dia, Thiago me disse sobre seu primo, Ivan, que vive no estado de Minas Gerais, norte de São Paulo, que estava planejando uma viagem como a nossa, mas planejando em ir de motocicleta. E com seus amigos. Quatro mais. E suas respectivas motocicletas. Totalizando sete pessoas. Segue-se a loucura. E nós iríamos com o carro do Thiago, um Fiat Uno de 2008 – não a escolha de carro mais provável para tal viagem.

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About Pedro Merigui

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