Possível epílogo

Nos dias finais da nossa viagem e antes de nos separarmos, sempre alguém falava de um tempo depois nos reunirmos para um churrasco de final de semana.
Bom, viagem terminada, cada um foi para seu canto e afazares: Doca, Ivan, Kall e Lucas para Minas Gerais e eu, Susy e Thiago para Campinas, São Paulo.
O nosso reencontro só se daria 5 meses depois, mais especificamente em dezembro, no final de semana dos dias onze ao doze. O lugar escolhido não poderia ter sido melhor: a cidade natal de Kall, Tocantins, cidade pequena, de 17 mil habitantes apenas. Cidade em que Kall se estabeleceu e montou uma fotótica, prestando serviços de revelação e fotografia de eventos.
Depois de várias tentativas frustradas ao longo desse 5 meses, finalmente recebi uma mensagem de Thiago que iríamos viajar de novo. Seria algumas horas apenas de estrada, cerca de 8 horas para ir e 8 para voltar, mas já era alguma coisa. Eu mesmo já sentia o ímpeto de cair na estrada, assim como o meu amigo: não foram poucas as vezes que eu sonhara com a estrada e uma mistura de lugares que eu previamente havia visitado. Esses sonhos foram mais frequentes logo após a viagem Bolívia-Peru e por um tempo haviam desvanecido. Sempre quando eu e Thiago conversávamos sobre qualquer coisa relacionado a viagens, eu sonhava por completo ou alguns fragmentos durante o meu sono vinham a tona.
Pois bem, reunião marcada para o final de semana, e meu amigo tendo que trabalhar na sexta-feira, resolvemos algo que acredito que em qualquer outro lugar não fariamos (ou arriscaríamos): viajaríamos a noite, saindo “cedo”, a uma hora da manhã, logo após o final de turno dele, e caíriamos na estrada madrugada adentro. Em outras paragens, eu não teria aceito tais condições, e acredito que ninguém aceitaria. Mas estávamos em nossa cidade e estado natal e pegaríamos estradas que, se não conhecíamos todas elas, teríamos a segurança de ter amigos nos esperando, caso alguma coisa acontecesse. Já era alguma coisa e me dava segurança suficiente para ir em frente.
A rota usada foi dirigir pela rodovia D. Pedro I até cair na Fernão Dias, já em Minas Gerais e de lá, pegar a BR-262, passando por várias cidadezinhas mineiras, passando por várias paisagens exóticas até chegarmos em Tocantins.
Sair de Campinas a uma da madrugada foi tranquilo e logo nos vimos rodando pela Dom Pedro.
A única vez na minha vida inteira que lembro ter viajado durante a madrugada foi quando eu devia ter uns 5 anos ou até menos, quando meu pai resolveu ir de carro até Porto Seguro, Bahia: o pouco que eu lembro foi de ter saído de casa quando já estava amanhecendo, por volta das 6 da manhã e termos viajado durante o dia inteiro, para chegarmos em Porto Seguro já de noite. E de termos pego bastante chuva depois do Rio de Janeiro. E só.
Mas essa viagem era inédita: saíriamos da cidade no breu total, começo da madrugada e rodaríamos em alta velocidade, fazendo apenas paradas necessárias: para abastecer ou pessoais obrigatórias.
O começo foi tranquilo e fizemos apenas uma parada rápida para o xixi nosso de cada dia, muito obrigado – isso, acredito, quando já tínhamos rodado algo por volta dos 200 ou mais quilômetros.
E preciso mencionar que estávamos ouvindo Rush. Mais especificamente os álbuns Hemispheres, Moving Pictures, Signals e Test for Echo. Todos eles com algum tipo de música perfeitamente adequada à atividade de dirigir: Red Barchetta, The Analog Kid, Driven, entre outras.
A outra parada obrigatória se encaixou na primeira, a parada de abastecer, quando já estávamos no estado de Minas Gerais, mais precisamente na cidade de Lavras, depois de termos passado por várias curvas. Thiago tinha me contado, mas a quantidade de curvas na rodovia Fernão Dias era realmente grande. Apesar de ser noite, a presença de curvas, eu tinha percebido, significava a presença de outra coisa importante: Montanhas!

(continua logo menos)

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About Pedro Merigui

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